Alagoas é uma terra muito forte em cultura afro, epicentro de umas das maiores revoltas (ou revoluções) de africanos escravizados nessas terras tupiniquins.
Diferente de outros lugares do Brasil, tal como Salvador e Rio de Janeiro, os cultos afros e afins de Alagoas tem um ‘q’ de proibido, de escondido, de criminoso. Os terreiros alagoanos fazem seus cultos de portas fechadas, cerradas e geralmente em quintais de casas particulares dos seguidores ou dos ‘mestres’ da religião.
Isso se faz real hoje, num dos estados mais ricos e próximos a força da resistência negra, terras banhadas de sangue branco, índio e negro, vertidos nas conflitos entre os ‘senhores’ e os ‘escravos’, presente e muito forte na Serra da Barriga, situada no município de União dos Palmares, neste estado. De lá surgiu a mais forte insurreição negra da história da America Latina, lembrada hoje pela figura guerreira e resistente de Zumbi e Dandara dos Palmares.
Pena saber que, num lugar tão forte por essência, tão carregado de historia de luta e resistência, os cultos afros são tão perseguidos e segregados. Isso começa em 1912, com uma ordem do então governador Euclides da Cunha sob a batuta do Senhor Fernandes Lima (aquele da avenida do Farol mesmo!).
Abaixo um doc do Siloé Amorim, que expõe esta fato histórico com riqueza de detalhes.
Comentários em: "1912 – O quebra de xangô" (3)
Esse é um fato que todos os alagoanos por obrigação deveriam saber. Ainda restam resquícios desse preconceito em nossa sociedade, a imprensa pouco fala.. Tenho vergonha da nossa cidade em homenagear um dos nossos maiores opressores da história na nossa principal avenida.
Ótimo post,
Abraço.
Muito foda o post, parabéns Lucas!!
Abração!
Lucas, além de sinônimo de bom gosto musical és também o de cultura crítica! Parabéns amigo!